Fui apresentada ao tear em 2014 por uma amiga que domina essa arte com maestria. Logo percebi que seria mais uma paixão que me acompanharia por toda a vida. Mas o tear tem sua própria história, e decidi compartilhar um pouquinho dessa trajetória fascinante com vocês.
Como muitas grandes invenções, o tear não tem um criador específico. Sabe-se que civilizações na Mesopotâmia e no Egito Antigo já utilizavam versões manuais dessa ferramenta. Os primeiros eram simples molduras de madeira presas ao chão ou encostadas na parede.
Nas Américas, os povos pré-colombianos já dominavam a técnica muito antes da chegada dos europeus. Até hoje, comunidades andinas preservam essa tradição; para os Incas, as roupas e mantos indicavam o status, a função social e até a origem étnica de quem os vestia.
Na Ásia, o tear une economia e espiritualidade. Na China, a seda transformou a tecelagem em uma arte refinada, com teares complexos que criavam desenhos semelhantes a pinturas.
Na Coreia, a arte está ligada à filosofia e à natureza, especialmente no Mosi-jjagi (tecelagem de rami). Realizada pelas mulheres na região de Hansan, essa técnica é hoje Patrimônio Imaterial pela Unesco e dá origem ao belíssimo Hanbok (roupa tradicional).
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| as tecelãs coreanas usam os lábios para separar os fios. |
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| tecido de rami |
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| Hanbok (roupa tradicional) Já no Japão, a técnica Saori trouxe elegância e modernidade, pregando a liberdade: aqui, as irregularidades são o charme e uma forma de nos expressarmos através dos fios. |
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| tecendo quimonos japoneses (nishijin-ori de Quioto) |
O Tear em Terras Brasileiras. E no Brasil, temos história? Com certeza! Nossa tecelagem é uma mistura riquíssima que une os povos originários, a herança africana e os colonizadores europeus.
Nossos ancestrais indígenas já teciam fibras de tucum e algodão para confeccionar redes e adornos muito antes de 1500. Essa herança moldou uma tecelagem brasileira única, comunitária e sustentável. No Nordeste, a técnica da "varanda" (acabamento rendado feito à mão) exibe a criatividade sem limites de nossas tecelãs. Em Minas Gerais, o som dos teares de madeira ainda repercute pelas ruas de cidades históricas, produzindo colchas e mantas, muitas vezes utilizando o reaproveitamento de resíduos têxteis.
Curiosidade: Uma história pouco conhecida: em 1785, a Rainha de Portugal proibiu as fábricas de tecido e os teares no Brasil para forçar o consumo de produtos portugueses. Mas as mineiras não se curvaram! Nos porões de casa, elas continuaram produzindo clandestinamente, mantendo viva a tradição que hoje é o orgulho da região.



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