Fui apresentada ao tear em 2014 por uma amiga que domina essa arte com maestria. Logo percebi que seria mais uma paixão que me acompanharia por toda a vida. Mas o tear tem sua própria história, e decidi compartilhar um pouquinho dessa trajetória fascinante com vocês.
Como muitas grandes invenções, o tear não tem um criador específico. Sabe-se que civilizações na Mesopotâmia e no Egito Antigo já utilizavam versões manuais dessa ferramenta. Os primeiros eram simples molduras de madeira presas ao chão ou encostadas na parede.
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| "Foto: Reconstrução de Tear Vertical Cucuteni por CristianChirita (via Wikimedia Commons), sob licença CC BY-SA 3.0." |
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| "Imagem: Tecelã de Manila (século XIX), por C.W. Andrews (via Wikimedia Commons). Domínio Público." |
Na Ásia, o tear une economia e espiritualidade. Na China, a seda transformou a tecelagem em uma arte refinada, com teares complexos que criavam desenhos semelhantes a pinturas.
Na Coreia, a arte está ligada à filosofia e à natureza, especialmente no Mosi-jjagi (tecelagem de rami). Realizada pelas mulheres na região de Hansan, essa técnica é hoje Patrimônio Imaterial pela Unesco e dá origem ao belíssimo Hanbok (roupa tradicional).
O Tear em Terras Brasileiras. E no Brasil, temos história? Com certeza! Nossa tecelagem é uma mistura riquíssima que une os povos originários, a herança africana e os colonizadores europeus.
Nossos ancestrais indígenas já teciam fibras de tucum e algodão para confeccionar redes e adornos muito antes de 1500. Essa herança moldou uma tecelagem brasileira única, comunitária e sustentável. No Nordeste, a técnica da "varanda" (acabamento rendado feito à mão) exibe a criatividade sem limites de nossas tecelãs. Em Minas Gerais, o som dos teares de madeira ainda repercute pelas ruas de cidades históricas, produzindo colchas e mantas, muitas vezes utilizando o reaproveitamento de resíduos têxteis.
Curiosidade: Uma história pouco conhecida: em 1785, a Rainha de Portugal proibiu as fábricas de tecido e os teares no Brasil para forçar o consumo de produtos portugueses. Mas as mineiras não se curvaram! Nos porões de casa, elas continuaram produzindo clandestinamente, mantendo viva a tradição que hoje é o orgulho da região.





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