Às vezes me perguntam por que, nessa idade, coleciono bonecas.
E acrescentam: você tem algum trauma de infância? Não, pelo contrário, tive uma infância muito boa. Minhas bonecas eram de pano e só mais tarde ganhei as da Estrela, sonho de qualquer criança da minha época.
Tive muitas, de todos os tamanhos, e quando entrei para a adolescência minha mãe achou que devia doá-las, mesmo eu querendo mantê-las como decoração. Para ela, precisavam partir para encerrar um ciclo; afinal, como toda jovem, eu devia aprender a cozinhar de verdade, a costurar roupas de adulto e, no futuro, cuidar de bebês, não de brinquedos. Aquele chamamento à responsabilidade bem típico da época.
Hoje elas não estão suprindo uma falta, estão decorando meu quarto. Pelo menos é como as vejo, por isso não tenho muitas, disponho de pouco espaço. E sempre que possível até vendo algumas, seja por precisar de espaço ou por querer investir em outro modelo.
Meu quarto é um cantinho só meu, metade dormitório, metade ateliê. Minhas meninas dividem espaço com meus crochês, minha máquina de costura e meu tear. É um pedaço criativo que tem como objetivo manter minha mente ativa. Além disso, tem meus livros e apostilas, que também fazem parte desse mundo reservado.
Mas voltando à pergunta: no meu caso, não foi falta de infância, foi necessidade de colocar beleza e inocência coabitando com meus hobbies, minha terapia. A vida já nos desafia todos os dias, e muitas vezes, nem temos tempo de parar para refletir. Pedacinhos assim, me libertam. E vocês, o que gostam de fazer para tornar o dia a dia mais leve e produtivo?


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