A Maternidade em Pachinko: O Coração Invisível do Romance

Um gesto de gentileza pode mudar um destino  


Acabei de reler o livro escrito por Min Jin Lee, intitulado Pachinko. E acredito que poucas histórias me impactaram tanto quanto a de Sunja e sua família. Nascer mulher em sua época já não lhe traria sorte, mas ser pobre e viver num pais colonizado era a certeza de que a vida não estaria a seu favor. Essa previsão se cumpriu bem cedo, quando ela ficou grávida. No entanto, a coragem de não aceitar o que o destino reservara a moças como ela, logo nas primeiras páginas, me fez pensar que ela não seria uma mera expectadora do seu infortúnio. Sunja era diferente e essa pequena anomalia atraiu para perto  pessoas que também fariam a diferença. Como o jovem Isak, que num gesto bondade acolheu a ela e a  seu filho, recebendo-a em sua família mostrando que, mesmo num mundo sombrio, a beleza arruma força para brotar. Essa seria a primeira de tantas lições que esse livro nos deixa.

A força das mulheres que a maternidade amplificou


Sunja teve seu filho e foi  acolhida pela cunhada como uma irmã recém descoberta. A vida fora de sua terra natal não era melhor nem mais fácil. Era luta, aprendizado e medo, porque o mundo em que viviam não estava em paz; a sombra da guerra estava em todos os lugares. Ainda assim, ela assumiu a missão de esposa e mãe com uma coragem tão grande que quase podemos tocá-la enquanto viramos a página . Ela não se intimidou, mesmo quando o marido foi preso; pelo filho, continuou trabalhando, sempre acompanhada da irmã que vida lhe  presenteara.

O peso cobrado pelas escolhas


É nesse tempo de espera pelo retorno de Isak, enquanto sustentava o filho, que ela se viu obrigada a tomar decisões. E quem escolhe sabe que nem sempre todos os lados ganham; às vezes, optamos não pela melhor situação mas pela possível naquele momento. Sunja fez isso: escolheu sobreviver. E o preço sempre vem, mais cedo ou mais tarde. É nesse ponto do livro que a história realmente começa a fazer sentido na minha cabeça. Quando somos mães , o amor por nossos filhos é o nosso escudo, e às vezes esse escudo, que serve para proteger o que vem de fora, também pode cobrir a nossa visão, do que está lá dentro. Sunja, sabia todas as formas de amar.

A coragem escondida no silêncio


O livro fala das dificuldades de viver fora do pais, do preconceito, da pobreza que mostra o melhor e o pior do ser humano, do horror da guerra, da discriminação e principalmente de perdas e que são muitas. Mas o que ficou em mim, depois que li foi a sensação de dever cumprido que deveria acompanhar todas as mães. Também ficou uma admiração sincera pela protagonista, porque em vários momentos me vi nela e fiquei grata por não estar em seu lugar. É um livro tenso mas marcante. Fica a impressão  de  que nossa alma se partiu em alguns momentos na leitura, mas emergiu mais forte depois de tantas lições de vida.

                                            E vocês, quais livros me recomendariam?

                                        






Comentários

  1. Que lindo post sobre Pachinko, li tem muito tempo, quero reler ele também!

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  2. Parece ser um bom livro mesmo. Beijos e uma ótima semana.
    https://cidocemulher.blogspot.com/

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  3. Desculpe. Só hoje vi seu comentário numa postagem minha.(Jovens mães).
    E vim lhe conhecer.
    Vou ler algumas de suas postagens.
    O livro que vc comenta nessa postagem, não conheço.
    Abraço,

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  4. Obrigada querida Liliane

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