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Mingdoll
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Visitando o centro do Rio, tive a impressão de que entrei em um loop temporal, retornando ao século XIX, ao tempo das carruagens e das ruas empoeiradas. Consigo quase ver a ilustre Chiquinha Gonzaga caminhando entre as lojas, levando as suas partituras nas mãos.
O Rio que Respirava Música. Onde Em cada Casa ouvia-se um Piano.
O Rio, na época capital do Império, era o lugar onde o piano era o senhor da sala e as mulheres ainda eram ensinadas apenas a sonhar com um bom casamento. Mas Chiquinha já vislumbrava um Rio de sons, de misturas, de cores e de raças. Uma mulher que vivia além do seu tempo: compositora, pianista e maestrina em uma cidade que, graças a ela, começou a respirar uma nova música.
O centro do Rio era pequeno, mas funcionava como uma ilha de energia. De dia, cercada por um mar de desigualdades, mas quando a noite caía, o som do batuque e do piano acompanhavam as risadas das moças e os passos dos casais que dançavam ao som 'atraente' do piano.
Assim, o Rio que viu Chiquinha ficou marcado para sempre pela menina que já nasceu lutando pela vida, enfrentando padrões, lutando para que sua música desse voz aos que não tinham. Mesmo que o preço por sua ousadia fosse alto, venceu não por ser a mais forte, mas por ser verdadeira. A janela que ela abriu ainda pode ser vista em cada canto dessa cidade, porque já faz parte da alma carioca."
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| "O cotidiano das ruas do Rio que Chiquinha percorria: vendedores de leite e água dividiam o espaço com o som que moldava a alma da cidade." |
Enquanto caminhava pela Rua do Ouvidor, ela podia sentir o cheiro das comidas e do café sendo preparados, misturados à fumaça do carvão e ao rastro dos animais que eram puxados pelos vendedores ambulantes, que também dividiam a rua com ela.
Mas Dona Chiquinha não se importava e continuava em seu andar, com os olhos nas livrarias e cafés onde os encontros musicais aconteciam era o som que vinha de lá que fazia a cabeça da compositora.
Era nessas ruas estreitas e movimentadas onde intelectuais, escravos e trabalhadores pobres enfrentavam suas lutas, sob o calor e a poeira, aguardando a noite onde os tambores ecoariam pela madrugada que alforriava a alma. Foi nessa rua de tantos contrastes que a música de Chiquinha Gonzaga foi moldada; ali nascia, debaixo dos olhares tortos da sociedade patriarcal, a melodia que já nascia livre.
Na Janela do trem, a cidade fervia de Vida e da Música de Chiquinha
Aqui da minha janela, vendo uma cidade em ebulição, quase podia ouvir as teclas do piano que vinham de dentro dos prédios; podia ver as sacadas, as moças e suas sombrinhas passarem correndo. Mas também podia ver os teatros, como o Alcazar Lírico, lugar onde as operetas e as revistas musicais atraíam os boêmios, compositores e artistas, e quem mais quisesse deixar de fora as mazelas da vida.
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| "Anúncio das composições de Francisca Gonzaga na Rua do Ouvidor. Note a presença da polca 'Atraente', que desafiou os padrões da época." |
![]() Chiquinha Gonzaga: A mulher que viveu no Passado, vislumbrando o Futuro |
| "A maestrina em sua maturidade: a janela que ela abriu para a música brasileira permanece iluminada." |
Nota de Agradecimento e Referência
As imagens que ilustram esta janela para o passado foram selecionadas da obra "Chiquinha Gonzaga: Uma História de Vida", de autoria de Edinha Diniz.
Gostaria de expressar meu profundo respeito e gratidão à autora por sua pesquisa minuciosa, que me permitiu visualizar com clareza o Rio de Janeiro do século XIX e a trajetória dessa mulher extraordinária. Para quem deseja mergulhar mais fundo na alma da nossa música, recomendo fortemente a leitura deste livro ele é um verdadeiro manual para entender a força e a verdade de Chiquinha.
" Atraente "foi a primeira composição de sucesso de Chiquinha Gonzaga, uma polca composta de improviso em 1877. A música causou escândalo na época por sua mistura de ritmos e por ser escrita por uma mulher, tornando-se o símbolo da ousadia e da liberdade que marcaram sua carreira.
Nota: Pesquisei e comparei fontes para trazer essas informações, mas histórias antigas podem ter versões diferentes. Quando for lenda ou tradição oral, indico. Considere isso um ponto de partida para sua própria pesquisa!

Comentários





Lovely writing by the author, good selections thanks for sharing!
ResponderExcluirObrigada Christine
ExcluirI love capybaras too =) We also had some toilet paper with capybaras some years ago, I loved it :D
ResponderExcluirA really nice post, thanks for sharing. And nice video.
Obrigada Yasmina
ExcluirAmo ver coisas antigas
ResponderExcluirPor isso amei estar aqui.
Obrigada por compartilhar
essa riqueza
Abraço mineiro pra você
Obrigada Larissa
ExcluirChiquinha Gonzaga será referência e guia para este Post notável.
ResponderExcluirBoa escolha.Grato por partilhares.
Beijo,
SOL da Esteva
Obrigada Sol da Esteva
ExcluirBom dia, Mingdoll.
ResponderExcluirMaravilhosa crônica! Muitas são as recordações
de Chiquinha Gonzaga, e a sua narrativa traz um
certo vislumbre, como se as suas referências
tratassem da realidade presente, pois as maravilhas
que nos tocam nunca morrem, permanecem na
memória cono as lendas infantis.
Meus cumprimentos por esse apoteótico texto e
um fraternal abraço com votos de alegria e paz.
Obrigada por seu comentário gentil, Antenor.
ResponderExcluirUma artista e tanto. Gostei de conhecer mais sobre ela.
ResponderExcluirBoa semana!
O JOVEM JORNALISTA está no ar cheio de posts novos e novidades! Não deixe de conferir!
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Até mais, Emerson Garcia
Obrigada Emerson
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