Construindo memórias enquanto teço

 Na nossa vida, deparamo-nos com muitas verdades. Mas uma das mais significantes ,na minha opinião, é sobre o tempo. Em nossa juventude queremos construir um castelo em poucos anos; na maturidade, a ideia é viver trocando a decoração;  mas é só  na velhice que percebemos que o melhor é apreciar a construção:  ver cada detalhe nas paredes com uma nova visão,  guardar momentos, emoldurar risadas e tecer novos aprendizados. 

A paciência, nesta etapa da vida, é como uma tecelã que não tem pressa de finalizar sua peça. Ela é sábia e entende que o processo é que tem importância; ele, sim vai definir a beleza do tecido. 

E, nesse caminhar de fios, haverá erros; nós se formarão.  Faz parte, fortifica a trama, mostra que não nos enganamos ao voltar e retirar as pedras do caminho. Mesmo depois da peça pronta, as lágrimas de decepção e de alegria é que vão unir os fios , que depois de secos criarão forma e mostrarão toda a sua real beleza.

Quando eu era nova, não entendia a lógica em arrumar os fios no tear e, logo, o trabalho virou um fardo. Agora, mais madura ,essa é  a parte que faço com atenção a cada troca de fios e cor. Aprendi que é aqui, na base, que irei definir como quero que minha peça se apresente, então eu me dedico todo o coração, porque cada erro, pode repercutir no resultado. Não quero ser definida por uma peça e sim pelo meu esforço.

Quando termino, já estou imaginando o recomeçar, porque as histórias não tem fim e novas metas precisam ser traçadas.

 Mesmo que o tempo seja sagaz e viva em desabalada corrida a nossa frente, nós devemos criar novos caminhos sem pressa, focando mais na beleza que criamos do que em ganhar essa competição imaginária. Porém, na vida como na arte, o conhecimento não chega logo; ele precisa ser cultivado para crescer e dar frutos.

 Mesmo sentindo o peso do tempo nas minhas costas eu também sinto as mãos da experiência, me ajudando a carregar esse peso. Essas são as pequenas lições de vida que encontramos nas tessituras do tempo.

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