Nossa vida deveria ser costurada à mão.
Como costureira, em alguns momentos tenho que escolher como vou costurar uma peça: à mão ou à máquina. E algumas vezes é difícil decidir.
A costura à máquina é rápida, é precisa, até os desvios são calculados pensando num resultado sem erros, porque desmanchar desvaloriza a peça. Mas quando costuramos à mão, cada ponto exige muito mais atenção. Sem a máquina para servir de desculpa, qualquer erro é nosso e cabe às nossas mãos achar o defeito e consertar.Não podemos simplesmente deixar um ponto solto ou um nó no meio do caminho, porque a responsabilidade é nossa e um nó mal feito desmancha e atrapalha os outros pontos. A qualidade passa a ter mais importância e nossas habilidades serão sempre desafiadas, como nossa paciência e humildade, em voltar e desfazer o ponto e refazê-lo sem pressa e com mais atenção.
Nesse tipo de costura, o tempo é mero coadjuvante e nossas mãos, as protagonistas. A rapidez dá lugar à experiência. O processo, apesar de mais lento e difícil, será um aprendizado e a perfeição deve ser medida pela quantidade de erros consertados.
O resultado da costura à mão é imprevisível, mas são desafios que precisam ser encarados e vencidos.
Uma vida feita à mão vai se tornar um tecido de qualidade que será transformado numa peça autêntica cuja beleza única só os olhares mais atentos entendem e valorizam.


Comentários
Postar um comentário
Seu comentário é a vida do blog.
se gostou, não deixe de seguir.