De retalho a arte: a história da chita e dos fuxicos

Vindo da Índia para a Europa, a chita, que era artigo de luxo, chegou ao Brasil. O tecido, de baixo custo e durabilidade, não demorou para se popularizar entre o povo na época colonial.

As mulheres logo perceberam a beleza de suas cores e padrões, transformando a chita em símbolo da cultura popular.


Com o tempo, a chita criou sua identidade brasileira, com seus padrões alegres, cores vivas e grandes flores, que diziam ter a intenção de disfarçar a trama aberta. A chita adquiriu contornos tropicais, assimilando com êxito nossa mistura cultural. Assim, o tecido que simbolizava o luxo europeu passou a contar a história dos nossos antepassados. Vivendo no Brasil colonial, pessoas comuns e escravizados tinham na resistência da chita a sua própria história refletida.

Uma vez nas mãos das mulheres, o tecido ganhou vida. Vieram os fuxicos, nascidos de retalhos que iriam para o lixo  os círculos que, após franzidos, se transformavam em todo tipo de acessórios e vestuário.

Nas mãos das artesãs, cada fuxico virava uma colcha, uma almofada. Em rodas de costura, reunidas, falando sobre tudo, nasceu a arte de fuxicar.


Hoje em dia, a técnica simples ganhou muitos adeptos, virou reaproveitamento, cria arte e cultura, traz renda e multiplica histórias.

Essa heroína feita de algodão, que percorreu um caminho difícil desde sua chegada da Europa, perdeu status, foi quase sucumbida por decretos, mas resistiu graças ao poder da criatividade daquelas mulheres artesãs  de sermos um povo que não foge à luta para, no final, vencer com dignidade.

Poucas pessoas conseguem um feito assim; que dirá um tecido?

Não traço aqui só um pouquinho da história da chita e dos fuxicos  na verdade, traço uma reflexão. Nossa história pessoal está repleta dessas vivências que deixamos passar. Conhecendo o passado, pequenas histórias são pequenos milagres que não voltam, mas que constroem um futuro. 


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